Momentos sozinho

Este blog nasceu da minha solidão. Da minha solidão também nasceram vários cadernos, os quais eu joguei fora após completá-los por julgar que após escritos, não valiam mais nada, afinal, eu escrevia apenas para acalmar a mente, passar o tempo e organizar o pensamento.

Reler escritos antigos e saber do próprio passado é uma ferramenta valiosíssima para quem busca o autoconhecimento. E eu vinha negligenciando isso até dois anos atrás, quando comecei a guardar as minhas anotações. E aqui começam os problemas.

Já saí da casa dos pais, voltei, constantemente viajo, e manter diários, levá-los comigo, além de ser um risco desnecessário, pois alguém poderia desavisadamente lê-los e ter impressões erradas ou muito profundas, inconvenientes de mim, há ainda o incômodo de acumular diários, e o risco só aumenta.

Deixe-me explicar melhor: muitas vezes eu sento no meu quarto e escrevo no papel o que  eu gostaria de ter dito a alguém mas não disse, entende? Sabe o quanto isso pode ser constrangedor? Muitas vezes eu estava com raiva de algum familiar ou qualquer pessoa e escrevia coisas com raiva da pessoa, só para descobrir depois que não foi culpa dela. Ou fantasiava relações amorosas com colegas de trabalho, tudo muito particular e não necessariamente sério — acho que já dá para entender por que é constrangedor e estranho alguém ler as minhas anotações.

Para piorar, a mãe tem o costume de invadir meu quarto e ler minhas anotações. Curiosidade de mãe, claro. Eu sou um cara muito próximo da mãe, já que eu não sei se meu pai me odeia ou apenas me tolera. Se ele gosta de mim, faz muito esforço para esconder isso. E isso acontece com muitos caras, ser o “filhinho de mamãe”, eu sei porque já vi. Recentemente este problema se avolumou porque a mãe é muito manipuladora, e ela faz de mim gato e sapato. Parece que ela manda as coisas e eu não tenho voz para responder? Dia desses eu tentei adotar uma posição e ela achou estranho, uma falta de respeito.

Tendo na mão a minha agenda, sou alvo fácil para qualquer um. Imagine como é saber o que mais abala uma pessoa, o que a pessoa mais ama, o que mais odeia, o que mais teme, qual a situação da pessoa no momento, que dúvidas tem, o que tem pensado, e até mesmo o que tem sentido? É muito fácil: basta dizer a coisa certa no momento certo. Ainda mais se a pessoa que sabe de tudo isso é a mãe do indivíduo. Uma agenda perdida é algo perigoso para quem a perde.

Mais fácil dito do que feito, eu já deveria estar morando sozinho, e eu já morei sozinho mas meio que surtei e pedi demissão de um emprego ótimo. Aprovado por concurso público, e joguei tudo fora, hoje moro com os pais.

Namoradas, tive, hoje nem perto disso. E para ser sincero, não quero relacionamento, estou instável demais financeiramente, emocionalmente, tenho que amadurecer muito e falta-me até vontade de namorar. Talvez eu tenha depressão.

Recentemente prestei um concurso público para trabalhar na justiça, no qual fui reprovado vergonhosamente apesar de ter me esforçado integralmente para passar, e tudo com o apoio da família. Foi um golpe e tanto, mas estou menos arrasado do que eu pensei que estaria. Não estou tão mal porque quero tentar de novo. Se eu desistisse, aí sim eu acho que ficaria muito mal. No momento estou só um pouco revoltado e frustrado.

Retomando, sobre os cadernos antigos, as anotações que tenho de 2014 até 2016, elas foram o combustível do blog antigo. Postei ali meu diário, tomando o cuidado de evitar nomes e topônimos, mas ao fim descobri que o que eu tinha escrito de forma particular não servia bem para o blog. Isso porque as pessoas comentam, não foi menos constrangedor para mim ver aquilo na internet, mesmo que fosse com um pseudônimo, eu realmente não quero ninguém sabendo das minhas fraquezas. Terminou que eu postei o diário todo em um dia, e pensei: “pronto, agora preciso de seguidores”. Comecei a pesquisar outros blogs, e fui até invasivo, chamaram-me de stalker porque eu lia e comentava tudo, isso foi em blogs de mulheres. No fim conquistei a simpatia de uma ou duas amigas, uma comentou que se sentia mais humana lendo meu blog. Teve um blog de uma garota com depressão que me impactou muito, mas ela não teve tempo ou interesse de ler meu blog, o que eu acho uma pena.

E não acho que estranhos deveriam ler um blog que basicamente trata de um diário particular. Diários são particulares, correto? Por que alguém haveria de ler? Excetuando-se mentes doentes como a da minha mãe, é até desinteressante saber tudo sobre uma pessoa a não ser que haja uma obsessão ou alguma patologia mental mais grave.

E no fim, teve alguns artigos que alcançaram algum sucesso, especialmente um sobre solidão, fiz uma pesquisa na internet e postei conteúdo traduzido do inglês, o blog estava começando a dar resultados, e aí que eu pensei na revisão, e como eu merecia tudo do zero, pegar só o que tem de bom e fazer um blog novo.

É bem diferente despejar seu pensamento num papel que você sabe que ninguém vai ler e fazer uma postagem no blog. Num blog, espera-se que alguém leia, ou não, mas há sempre um desejo de agradar o leitor. No diário não, é apenas um rabisco para clarear a mente, se começa como texto e termina como uma lista ou organograma, não tem diferença.

O que eu pretendo com este novo blog é postar redações, crônicas, histórias reais da minha vida, ou fictícias, escrever sim para clarear a mente, talvez contar algum fato da minha vida, e ainda comentar sobre assuntos que eu gosto e tenho interesse, como Formula 1, Big Brother Brasil, legislação e direito, concursos na área da justiça e computação (tenho curso superior na área de TI).

Eu não gostei do outro blog porque era um tema depressivo “Calma, você vai morrer”, e eu ficava mendigando likes porque eu fiz uns cem posts num só dia e depois queria que alguém lesse e comentasse o que eu escrevi. Com o Verve Literária vou ser mais modesto. E estou preparado para passar meses sem nenhum leitor. Tenho certeza que algum dia alguém vai ler e achar interessante, a pessoa pode dar um like ou não, e comentários, são muito poucas pessoas que comentam, e apesar de eu ter comentado extensivamente no blog de outras pessoas, eu sei que a maioria das pessoa só lê e não comenta, e sinceramente, acho que isso é para melhor. Ainda mais se é um tema estranho, íntimo ou particular.

E tenho algumas expectativas também. Ano passado, durante as pesquisas que eu fiz, vi que muitas pessoas dizem que ter um diário com coisas realmente constrangedoras faz muito bem para a alma, acalma o pensamento, organiza as ideias, muitos escritores são blogueiros, e é uma maneira bem legal de interagir com outras pessoas. Tem um blog em particular que quero continuar sempre lendo porque adorei muito, mas não vou postar um link porque a pessoa vai saber do link e é meio cedo para ficar chamando pessoas para o meu blog, que ainda nem começou.

Se eu tiver o mínimo de consistência daqui para frente, não vou apagar este blog. E só vou escrever aqui conteúdo na data em que eu escrevi mesmo, não importando se é um, dois ou dez posts por dia. Talvez eu use o recurso de programar publicações, mas da última vez isso só complicou e para piorar, alguns posts ficam sem data definida, ou eu posto antes coisas que eu escrevi depois, enfim, se usar o recurso de programação de posts, serei muito mais cuidadoso.

E eu tinha um limite de quinhentas palavras por posts, não vou ter mais este limite. Este post aqui já passa das mil e trezentas e o próximo pode ter apenas cem. O que eu posso definir é talvez o limite mínimo de um post mensal, mas acho que é um limite fácil e eu tenho a impressão que a média vai ficar muito acima disso.

Tendo nada mais a dizer, despeço-me. Tenho ainda a página sobre mim para atualizar. Se eu pensar em mais alguma coisa para dizer, faço um novo post mais tarde.

😎

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